O que são Plantas Autóctones e como usá-las no seu Jardim
sexta, 29 de janeiro de 2021 Homify Elisabete Figueiredo JDias

Quando toca a jardins há dois tipos de pessoas: – aquelas autodidactas apaixonadas pela jardinagem, que se perdem por uma planta bonita e não descansam até a ter no seu jardim, e aquelas que planeiam ao detalhe o paisagismo dos seus espaços exteriores, sob premissas de paisagismo, beleza e sustentabilidade. Os primeiros têm o amor pela jardinagem, mas muitas vezes perdem-se na confusão que essa paixão acaba por criar, com plantas de todos os tipos, muitas vezes plantas invasoras, sem critério ou método de plantio. Os segundos normalmente recorrem a arquitectos paisagistas ou a jardineiros profissionais para planearem e estruturar o seu jardim, acabando com espaços mais coerentes, que respeitam os critérios ambientais de respeito pela natureza e poupança de água. Quais dessas pessoas procedem melhor?

Nós temos a certeza de que são aqueles que projectam o seu jardim ao detalhe e temos a certeza de que qualquer ambientalista concorda connosco.

Por vezes é preciso refrear o entusiasmo e pensar que um grande relvado verdejante consome litros e litros de água, e que aquela planta tão gira que vimos na nossa viagem exótica pode causar sérios problemas ao ecossistema local!

As plantas autóctones são uma solução muito mais eficiente e seguras, por isso hoje falamos-lhe delas. Se gosta de jardinagem, mas não quer que o seu jardim se torne num sumidouro de água ou num perigo para a fauna e para a flora local tem mesmo de ler este artigo.

O que são plantas autóctones

Chamam-se plantas autóctones às plantas que fazem parte da flora nativa de determinada região. E chamam-se de plantas alóctones as plantas que são ou foram introduzidas artificialmente numa dada região graças à acção do Homem. Em termos gerais dá-se às plantas autóctones significado de plantas originárias do próprio território onde se encontram.

Obviamente a própria natureza não é estática, e as plantas desenvolvem-se e espalham-se através dos seus próprios meios, seja pelo vento, transportadas por aves e outros animais ou por qualquer fenómeno climatérico, mas o ser humano teve um papel preponderante nessa variabilidade a nível local ao fazer ocorrer a dispersão das espécies muito mais depressa por meios artificiais, aquilo que apenas aconteceria aleatoriamente e lentamente na natureza.

Os portugueses e os vizinhos espanhóis foram os primeiros grandes contribuintes para esta globalização das plantas, na altura dos descobrimentos e da expansão marítima. Os exploradores iam pelo mundo, viam espécies exóticas de rara beleza e traziam-nas para a Península Ibérica. Ao longo do tempo também o lado económico prevaleceu e muitas espécies vieram pelo seu crescimento rápido, como o eucalipto por exemplo.

Esta introdução de espécies exóticas teve muitas consequências e algumas bem negativas, como a depleção de espécies locais e a proliferação de espécies invasoras com natural prejuízo da biodiversidade.

Plantas invasoras

Chamam-se plantas invasoras às plantas alóctones (trazidas de outros países ou de outras localizações geográficas) que se deram tão bem no novo território que ameaçam pôr em causa o desenvolvimento das espécies autóctones e se tornaram uma verdadeira praga difícil de controlar, por vezes com impacto no meio ambiente.

Por vezes o comportamento de uma espécie inserida artificialmente num determinado ambiente pode tornar-se imprevisível, mesmo quando há estudos especializados em botânica e paisagismo, e por vezes uma planta aparentemente inofensiva pode ter impactos problemáticos no ecossistema e na biodiversidade.

Pode parecer algo distante, mas algumas destas plantas estão tão presentes nas nossas paisagens que já as tomamos como nossas, embora sejam bastante prejudiciais.

Estamos a falar, por exemplo, das acácias tão presentes já nas nossas matas (as famosas mimosas com as suas flores amarelas em pompons flagrantes), a estrangular plantas autóctones portuguesas como os sobros, os carvalhos ou os pinheiros. Estas plantas foram trazidas da Austrália, onde cresciam em matas cerradas que lhes limitavam a expansão e foram trazidas para Portugal pela sua beleza e pelo carvão que produziam em quantidade, devido ao seu crescimento rápido. Deram-se tão bem por cá, em matas esparsas e frequentemente flageladas pelo fogo, que agora ameaçam tomar todos os espaços livres e prejudicar inclusivamente a produção florestal de espécies com valor económico.

Também o bambu pode ser uma espécie invasora, pela sua velocidade de expansão.

Outro exemplo de planta invasora é o tão conhecido chorão-das-praias, cujas atraentes flores coloridas e a resistência à seca levaram muita gente a plantá-lo nos seus jardins. Esta planta é tão comum que muita gente pensa ser natural do nosso país, mas na realidade é originária da África do Sul. Reproduz-se com grande facilidade, tanto por via vegetativa como por sementes, por isso invadiu incontáveis ecossistemas costeiros tanto em Portugal Continental como nas ilhas, e ameaça arruinar as nossas preciosas plantas dunares.

Porque é importante falarmos destas plantas invasoras? Porque queremos que pense muito bem no impacto que plantar uma espécie exótica pode ter na paisagem e na ecologia do nosso país e até do mundo!

Plantas autóctones portuguesas

Já deixámos bem claro o perigo que são as espécies exóticas por se poderem tornar invasoras, mas ainda não lhe demos bons exemplos de plantas autóctones portuguesas, no entanto o mais normal é que já conheça muitas sem ser preciso apontá-las.

Sobreiros, azinheiras, carvalhos, oliveiras, urze, estiveira, cardo, borragem, giesta, hipericão, rosmaninho, alecrim, tomilho… Há tanta e tão rica flora no nosso país, para explorar como plantas ornamentais! E muitas delas, como o limoeiro, a cidreira, o alecrim, o tomilho ou a melissa podem também ser usadas como plantas comestíveis.

Ao nível da jardinagem as plantas autóctones têm vindo a ganhar protagonismo, oferecendo o seu cunho bucólico a jardins um pouco por todo o país.

Vantagens das plantas autóctones na jardinagem

Durante muito tempo as plantas autóctones foram um pouco ofuscadas pela imponência e gosto exótico das recém-chegadas, mas essa é uma tendência do passado. Com o ambiente cada vez mais na ordem do dia, as nossas velhas conhecidas voltaram às luzes da ribalta! Estas plantas são uma alternativa cada vez mais procurada aos relvados, que tanta água e adubação exigem, prejudicando o meio ambiente e que eram quase omnipresentes nos jardins até agora.

As plantas autóctones tiveram milhares de anos de evolução no nosso território e por isso estão muito bem adaptadas à região onde crescem normalmente. Por este motivo exigem muito menos água do que as plantas exóticas, estão adaptadas às características do solo, sobrevivem às agruras do clima e exigem menos adubação. E além disso são familiares e têm uma beleza única, produzindo jardins com um toque saudosista e natural, mesmo com um cunho moderno.

Quando combinadas com os materiais naturais certos, cuidadas e podadas como plantas de jardim, as plantas autóctones ficam maravilhosas, não é verdade?

Plantas autóctones e exóticas

Mas será que todas as plantas exóticas são más e prejudiciais?

Nem sempre! Quando devidamente seleccionadas, as plantas exóticas podem dar ao seu jardim um toque surpreendente e muito interessante.

A escolha das plantas exóticas a incluir no seu jardim deverá ficar a cargo de profissionais especializados, com os conhecimentos certos para criar as combinações certas, facilitando o crescimento de espécies adjacentes, mesmo que vindas de países distantes. Um profissional ligado à jardinagem e ao paisagismo saberá dizer se determinadas espécies podem crescer juntas, adaptar o solo para que todas as plantas se desenvolvam e garantir que não vai plantar nenhuma espécie potencialmente invasora ou demasiado exigente.

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